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sábado, 14 de março de 2009

Confirmado crime por negligência...


Transtornado. O estado de espírito de João Carlos Moreira era, ontem à tarde, bem perceptível na voz do programador informático. "Não tenho nada a dizer", disse apenas ao CM, num tom muito embargado. Vinte e quatro horas antes tinha encontrado o seu Joãozinho, de nove meses, inanimado dentro do seu carro, numa rua em Aveiro. O bebé morreu ao sol, desidratado, por esquecimento do pai.

Ontem de manhã, João Carlos foi ouvido pelo MP, que confirmou a indiciação de homicídio negligente na forma grosseira, feita pela PJ. Incorre numa pena de prisão não superior a cinco anos, por isso nem foi presente ao juiz.

O pequeno João Pedro vai a enterrar esta tarde, às 15h00. O corpo do bebé estará em câmara ardente na capela mortuária da Santa Casa da Misericórdia de Aveiro a partir das 10h00.
Só hoje, depois das exéquias, a pequena Inês, de quatro anos, regressará aos cuidados dos pais. 'Ela ainda não sabe de nada. É uma miúda muito esperta e que gostava tanto do irmão', sublinhou ao CM uma funcionária da pastelaria Doce Aveiro, no edifício onde a família Moreira vive. 'Horas antes da tragédia, de manhã, a mãe do menino, Liliana, esteve cá com a filha e até comentou que era o marido que ia levar o Joãozinho ao berçário', continuou a funcionária, que só soube da tragédia pela avó materna do bebé. 'A senhora parecia anestesiada. Eu nem queria acreditar', lembrou.

PROGENITOR NÃO CHEGOU A SER OUVIDO PELO JUIZ
João Carlos foi ouvido ontem de manhã pelo procurador do Ministério Público de Aveiro. O pai do pequeno João Pedro foi indiciado pelo crime de homicídio por negligência na forma grosseira, punível com pena de prisão até cinco anos. Por isso, nem chegou a ser ouvido pelo juiz de instrução criminal.

O bebé esteve três horas esquecido no carro: em frente ao escritório onde trabalha o pai e a escassos quatro metros do berçário onde deveria ter sido entregue pelo progenitor às 09h30. O alerta chegou por telemóvel, às 12h30. Foram as educadoras que avisaram a mãe sobre a ausência do bebé.

FAMÍLIA QUER FUNERAL DISCRETO
A cerimónia fúnebre do pequeno João começa esta tarde, às 15h00, na capela mortuária da Misericórdia, no centro de Aveiro. Os preparativos estão envoltos em grande secretismo e, ao contrário do habitual, nenhum aviso para o funeral estava ontem afixado na cidade, por opção da família. 'Gostaríamos de, pelo menos, mandar um ramo neste momento de dor. É uma família muito simpática e que cuida bem dos seus filhos', disse o dono da pastelaria Doce Aveiro. 'Ainda há dias o pequeno comia pão, ali sentado', lembra o comerciante.

PORMENORES BERÇÁRIO FECHADO
Ontem, o berçário O Meu Oó, onde o pequeno João deveria ter sido entregue, continuava fechado. 'Estamos muito abaladas. É muito duro para nós, também', disse ao ‘CM’ uma das educadoras.

DESIDRATADO
O bebé terá morrido desidratado, vítima de insolação, por ter estado três horas exposto a temperaturas que rondavam os 22 graus. Só a autópsia realizada ontem o pode confirmar.

PENA INFERIOR A 5 ANOS
O pai foi indiciado por homicídio por negligência na forma grosseira. Um crime que prevê uma pena de prisão até cinco anos.
Já agora deixo aqui uma pergunta no ar:

Este pai "destroçado" que deixou o seu filho por esquecimento no seu carro poderá apanhar até 5 anos de prisão...e os pais da pequena MADELEINE MACCAN...que a deixaram propositadamente sózinha em casa que pena pode apanhar...???

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